terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A NOITE PINTADA DE DE CHIRICO A JOAN MIRÓ


O homem é Giorgio de Chirico!

Solitário passo entre as casas
- Sou Giorgio de Chirico!
O homem que sou
é um de Chirico...:
um Giogio de Chirico!

Em solitude absoluta
passo com o sapato
cujo chiado em atrito com o solo
canta a solidão relativa
reativa
ratificada
pela cantaria obrada em desenho de gárgula
no canto debuxado nas pedras
da igreja cujo cantochão
canta ao rés-do-chão
- ao rás do chão...,
razoavelmente

Passo no passo do sapato
que recolheu pedras no caminho
de Carlos Drummond de Andrade
cavalgando a mulinha do leite
qual fosse outro Dom Quixote de La Mancha,
digo : das minas gerais
de Minas Gerais
dos campos gerais...

Olhos d´água me molham o verso
- olhos na água que me espelha
e especula-me a solidão pétrea
de um Narciso-monge-cartuxo

Mesmo quem me toca
- toca-me tuba trombone saxofone
violino piano
ou instrumento de percussão
porquanto o homem carrega-os em si
no si musical da Musa
que inventou a música
o músico e o instrumento musical

Contudo Musa que é musa
é criatura de homem
- o criador da não-natureza
na cultura
objeto de estudo
para astuto etnólogo
empós etnografia de Malinovski
nas Ilhas Trobriand
assentados sobre atóis coralinos
( porém prefiro imaginar
a Polinésia para os Argonautas do polonês
- nautas em outras plagas
Melanésia Micronésia
território de Guam... )

O homem
o monge
o solitário...:
sou Giorgio de Chirico
e na minh'alma
a solidão tem tal acento tônico
tal tonicidade grave
que quando beijo
não me beija ela
pois quando ela beija
não há beijo meu
em correspondência
porque o beijo de Klint
nem o meu
nem tampouco o beijo dela
por mais sequioso ou ávido
que estejam os lábios carnudos
no vermelho do batom
não pode ser correspondido
- que é a solidão do homem
é barreira intransponível
ainda para a mulher amada! :
Ou o filho e a filha queridos
amados entes
( O ósculo e o amplexo
é sempre o de Heitor e Andrômaca
na escultura de Giorgio de Chirico
que olha para a perspectiva
do impensável filosófico
retratando a melancolia profunda
afiada pelo outono à tarde
- Ah! tudo é muito tarde!
para qualquer gesto desesperado
- de Klint! )

O homem sou eu
- e eu sou Giorgio de Chirico! :
ou a solidão nefasta
de Giorgio de Chirico
segue-me como sombra
sombria na noite fria
pintada a Joan Miró
na melhor noite
da solidão espasmódica da mulher
- dentro da vela da noite escura
no breu das trevas
com negro batom,
nigérrimo esmalte nas unhas
para arranhar a tez

Eu sou o homem!
- sou Giorgio de Chirico
em vasta e impensada solidão :
lancinante solitude noctambular!
Errante entre os noctívagos
vagos vagabundos vadios
errabundos vaga-lumes

Sozinho na vela da treva
navego no barco à vela negra
rompendo a treva espessa
guiado pela esguia enguia
que enche a barra da alva
na flor de laranjeira
que odora o ar
- que adora o vento
com sua fragrância
a incensar a brisa
em noite negra
na qual sigo impensável
a cavaleiro de mim
- no meu rasto
que é o único
que posso ver ou ler no chão
quer faça treva ou luz
preto no branco
do xadrez no claro-escuro
do dia e noite
vida e morte

Sou Giorgio de Chirico
em cada solidão pintada!
- e ninguém tem poder
para atravessar esta solidão espessa
entre mim e o mundo

Entre os outros seres humanos e eu
há uma barreira interposta...:
- inviolável fortaleza!

domingo, 25 de dezembro de 2011

HISTRIÃO (wikcionario wiki wik dicionario filosofico cientifico online informal)

Poetas olham para bar
enamoram-se do bar
flertam com bar
mergulhado à sombra das telhas
quando a tarde vai navegando do zênite
ao nadir
- que começa a nadar
no rio negro das trevas
vendadas nos trevos cegos-cegonhas
que aplainam os caminhos
de Pero Vaz de Caminha
em carta às ervas-hortelãs do rei
de Portugal e Algarve

Poetas são bêbados contumazes
Adentram recinto de bar
sóbrios-sombrios
com sombreiros
e saem sobranceiros

Erram de bar em bar
a ouvir o bar-bar dos bárbaros

Quando não estão embriagados
inebriados com a vida
soluçam na escrita
de versos
vivem de versos
por versos
em versos
põe o que não é poesia
mas escrita hieroglífica-geoglífica-alfabética
da poesia surda-muda....
( Esta é uma maneira odiosa
de não viver de fato
mas sobreviver por procuração
ou teatralmente
no bufão-truão-histrião
que encarna
ou representa por escrito
na tragédia de escrever poesia
- que embora não seja um morrer
é um não-viver
uma sobrevida em andrajos
( O poeta quando escreve
já não bebe
já não fuma
- já não vive!
Apenas lembra do ébrio que foi
na infância ou juventude
maturidade ou velhice
Faz da poesia escrita
um lembrete de vida
- exercício mnemônico )

Toda minha poesia
é ilegível
e não está escrita
em antologia
ou ontologia
- A poesia prescinde do escriba

sábado, 24 de dezembro de 2011

RADICAIS LIVRES (wikcionario wiki wik dicionario etimologia enciclopedia )

Passando por um renque de árvores
com pássaros cantantes
logo acima do cananeu
que não era eu
senti vontade de ficar ali
parar ali
para sempre
se a locução adverbial "para sempre"
existisse
fosse fato
e não ato pensante-pensado
e, concomitantemente, estivesse
fora do vocábulo
porquanto a existência está por fora
do outro lado da alma
espelhada em Alice
jogada e perdida no mundo
para onde foge o ser
na alienação do homem
enquanto a essência vai por dentro
roendo a vida com radicais livres
corroídos por anti-oxidantes

Quedar ali embaixo da ramagem
sentado no Buda
que sou
- que somos todos os indivíduos... :
Louco de pedra-pome,
doido varrido,
ó Manuel Bandeira!...
- senhor de tantas andorinhas!
mas que não obstante
não me ouve mais
debaixo das ervas daninhas
sob pedra tumular
também não mais palmilha Drummond
pelo caminho da pedra
em meio ao caminho do pé
calcado no sapato torto
( o sapato velho é um torto anjo
que dá azo ao azar
e a bazar de quinquilharias )
Ambos os poetas
hoje são
o que não não são
nem tampouco estão sãos
nem são em São Petersburgo
nem ser nem santos
nem corre processo canônico
conquanto já jazem
em jazigos estão
abaixo da pedra do burgo
da pedra de Pedro
da pedra São Pedro
e da pedra que havia
a meio caminho do sapato
florido em Mário Quintana
escrito na carta de Caminha
a caminho das especiarias
e da pedra que é
o seu corpo desfeito
decomposto
no cal do osso
com o resto da alma
no sopro restante
presa nos ossos
entre ossos encerrada
sonhando com um soprador
um tocador de tuba
que a expire dessa flauta
na dança dos signos no ar
escritos em parábolas senoidais
bailarinas-musas no vento
Todavia tudo
o que descrevi
foi só um momento
que ficou engasgado no tempo
em pedra de descaminho
- para caminhar descalço
carmelita
sobre elas a caminho
para a planície do Esdrelão
- um instante de apedrejamento íntimo
( ou de liberdade cínica
- Total?!
Total só no ideal
no real não )

Foi num tempo para semear
tempo no semeador
que fiquei ali plantado
sob chuva
junto à aleia e as ervas
à sombra da alameda
doido de jogar pedra
- pedra a caminho
de Eras geológicas
profetizada em geóglifos

domingo, 4 de dezembro de 2011

GRASSA (wikcionario wiki wik dicionario filosofico cientifico houais )

O conceito de negócio jurídico desenha geometricamente ( todo desenho desde Euclides é geométrico, mensura e contém formas ideias de figuras delineadas com "lápis" sobre o perímetro dos corpos figurados, sendo a geometria abstracção do conteúdo e concretização da forma : ideia desenhada, concebida sem pecado, no jargão da Igreja, a "Mater e Magister" do indivíduo ocidental em assembleia : comunidade ) um ato, que, após desenhado (tomado em corpo hipotético : hipótese, sob a abstração dos signos da língua-escrita ou cantada em coro na tragédia comunitária com seus atores-personagens ou hipócritas, que somos todos em sociedade, porquanto o viver social é um conviviver que exige personagens rígidas, desumanizadas, varadas pela imaginação da baixa literatura de Agatha Christie e Conan Doyle e não da alta literatura de Dostoievski, Tolstoi, Dickens, Machado de Assis ) se põe no mundo enquanto fato consumado.Fato é sempre a consumação de ato ou atos enlaçados, trançados no vime, encadeados .
O negócio jurídico, aparadas as filigranas dos doutos, é um negócio como outro qualquer, apenas amparado ou estribado em lei, ou que se passa sob a forma prescrita em lei. Ritos do contato e do testamento.
Todo testamento é m negócio jurídico, inclusive o Velho e o Novo Testamento bíblico, que nos remete e destina a um legado e a uma herança social e, ao mesmo tempo, é um contato social da lavra de Rousseau e da exegese de Hobbes, no "Leviatã". Enfim, um pacto, o tal contrato genérico, que se presume universal, porquanto direito é mais presunção que realidade "cognoscitiva" ; se não for muita presunção, total presunção! E nada mais que isso, fora do rito imprimido pelo princípio da razão suficiente, que presunção bastante para se pensar e fazer de tudo com o outo, desde que esteja dentro do âmbito da lei, a nova deusa e tirana, o novo despotismo, que é novo somente na aparência .Porém antes da lei emergir, vem o costume, onde se funda, onde tem pé a legislação vigente e revogada, essas deusas e senhoras das gentes e dos indivíduos. Nossas Senhoras dos Pavores dos pobres e oprimidos, protetoras do ricos e poderosos! .
Lei não fundeada em costume é lei sem âncora, ideal romântico; contudo, tal romantismo traz no bojo algo de malícia ou até maldade ( perversidade social ) e candidez angelical , ou candidez na mensagem.Aliás, "a mensagem é o meio " e o anjo ( a lei é um,a mensagem, antes de tudo : carreia dois fardos, para dizer do corpo ou alma dicotômica do pensamento que aflora na comunicação da realidade-idealidade, na qual vive o homem em corpo, alma (sem alma ou vida soprada no oboé das narinas pelo anjo torto do vento em curvas sibilinas-sibiladas, em silvos de serpente na selva ou savana africana) e espírito (sopro hebraico, da língua hebraica na boca do hebreu).
O homem, enquanto indivíduo pobre e submetido, vive sob o que "vige" a lei, que é a expressão da vontade dos que detém o poder político, que é econômico, científico, jurídico : são todos os poderes de fato e de direito, conquanto não de direito puro, ideal, enquanto ideia não alienada no mundo dos donos da sociedade e suas pertenças, dentre as quais o direito é uma, as obras de arte outras tantas e assim as fêmeas e os direitos conquistados sob o gume da espada do direito, que se passa a chamar justiça quando alguns homens remunerados com soldos ou vencimentos de magistrados representam o povo rico, contra o povo pobre e miserável, que sobra em votos nas urnas e nos esgotos, junto aos ratos e ratazanas.
A sociedade sempre foi assim : campo de ignomínia. Leia o Velho Testamento!, sem olhos de ovelha ou pastor ou doutor : com olhos de homem e mulher livres, não alienados pela quantidade de dinheiro ou cargos e encargos sociais que pesam sobre as espáduas.
E se se fala em negócio jurídico é porque há negócios escusos, que turbam as águas claras do direito dos justos e lançam âncora no mercado negro, o qual explora a parte sombria do direito : o direito negro, que faz a sombra do mercado negro, onde sobrevive a grande maioria, mormente nos países de altos índices de pobreza e desigualdade sócio-econômico, ou seja, de injustiça.Onde a injustiça grassa, é uma peste endêmica-epidêmica.
A injustiça é a falência, não ideal, mas real, concreta, não da justiça, que "existe" apenas enquanto concepção pura, ideal, mas do ordenamento jurídico como um todo coordenado , que, assim posto e executado, cuspido e regurgitado, cobre todo o território da nação, estado ou pais , distorce o real em ideal, colocando leis belas, que são pura poesia ou odes aos direitos humanos, quando deveria ser prática e práxis social, não o ideal "nobre" e humanitário, mas a realidade nua e crua.
O mercado negro faz o direito negro e movimenta a injustiça, a qual constrói a sociedade, é a práxis social, que contraria o pensamento ideal do iluminista tardio : Marx. O mercado negro e o direito negro polariza a maniquéia que, destarte, movimenta o direito, através do morto em paradoxo.
A justiça e injustiça, o positivo e o negativo, o macho e fêmea são maniquéias que movem o corpo social e o corpo natural em função matemática-maniquéia infinita, no símbolo, que é o único infinito e o único nada, pois apenas é, mentalmente, e não existencial. O ser é mental, mas nem sempre é ente ou coisa na existência, fora da essência da mente geometrizante.
A doutrina do maniqueísmo, dual, não se exprime somente na tensão entre o bem e o mal, mas extravasa essas polaridades e cria outras polarizações. O maniqueísmo é a doutrina do conhecimento, fundada na inteligência do homem ou na leitura que o homem e o animal fazem da natureza. A sociedade e o indivíduo são efeitos da maniquéia, dessa inteligencia percebida em natureza e transformada pelo homem em conhecimento, o qual é uma parte ínfima da sabedoria ou do saber vigente na inteligencia do homem e do animal, fruto da natureza dada a todo ser humano, quer seja esse "humano" homem, animal, vegetal ou mineral.
Aliás, a sociedade funciona em maniquéia, é uma máquina maniqueísta, cujas polaridades se dá e se esgota nos choques que absorvem as individualidades, embates esses que levam aos contratos ou pactos ( sociais ), cuja função é regrar a luta, socializá-la, normalizá-la ou metamorfoseá-la nos esportes, que é um rito estritamente social, que cumpre função social, socializante, ainda quando o que exprime é, aparentemente, solilóquio, tácito, unilateral, tal qual as demais formas de socialização ; a saber :os dramas representados no teatro, nos tribunais, nas novelas, enfim, nas instituições sociais, no lar.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

POEMA COM ESCÓLIO (wikcionario dicionario etimologia )


Não sou escritor
não escrevo versos
nem em versos
- não escrevo!
porquanto o poeta
não escreve
não grafa
pois a poesia
foge à regra
está fora da norma
não concerne à onomástica...

A poesia é livre
não como a borboleta no campo
mas como um homem livre
na cidade ou no campo
na prisão ou no sobrado
nos paços imperiais
ou mais ainda
no passo do caminho
junto ao passarinho
- ombreando com o marimbondo
que vive seu tempo
em xadrez de noites e dias
claros e escuros
com olhos voltados
para esse tabuleiro
de um xadrez natural...
Chita! :
a natureza veste chita!

A poesia não é desenhada
em grafia geométrica-geodésica
que tracejam gráficos eficazes
para engenheiros equacionarem
uma língua para fazer uma ponte
ou uma "catedral ebúrnea"
escrevinhá-la no poema matemático da equação
na equação literal
algébrica
que descreve a ponte pênsil
na língua-linguagem-símbolo
hieroglifada sobre estruturas de aço
que são arcabouços do nada
na prancheta do arquiteto...

A poesia é livre
inclusive do poeta
e captar essa liberdade sem asas
é a missão do poeta
que não geografa mariposas
mas as geoglifa
faz delas um geoglifo
no glifo e no hipogrifo

A poesia é o homem
e a mulher
juntos
durante os interlúdios de amor
- interlúdio para a vida
tocada ao sopro do oboé-anjo
que sopra a trombeta
do gozo final
no orgasmo
ou na orgia orgástica
- organista em Buxtheud-Bach
na catedral medieval
que ouvia e escrevia outra língua-linguagem
que não podemos ler nas entrelinhas
que a língua é como o tempo e o espaço
equacionado em amor
- só existe e é compreendido naquele instante
do puro deleite
ao puro leite
que alimenta o pó do vampiro-latim
ressurreto
mas sempre insurreto
que este é o homem
-"Ecco homo!,"
senhor vegetal da terra mineral!
este animal
apaixonado por Vênus
Ísis Afrodite...:
Nefertiti enfim!,
ó terras do Egito dos faraós!
- dos deuses antropozoomorfos...:
de Anúbis...:
Anúbis
( O Egipto é Anúnis :
no desenho geometrizado do homem-animal
ou do homem com alma
enfim, Anúbis é o projeto de homem-deus
projeto de faraó ou rei
em hieroglifos na escrita
e em geoglifos na forma desenhada
- Anúbis é a equação geométrica-literal
que descreve a parábola do Egito no tempo-espaço
em que existiu no homem
e nas letras em símbolos-signos da época
do Egito em Anúbis
ou do homem em Anúbis representado
nitidamente
embora sem descortinar cabalmente
a tenuidade que o pó da época apagou
ou foi varrido verbalmente
primeiro oralmente
no cessar dos sons das vozes em burburinho
e depois na escrita
apagada da luz
pelas sombras do tempo
- as sombras que restam do tempo...)
i n
p
w E16
ESCÓLIO II : POEMA EM PROSA SOBRE A FUNÇÃO DO POETA-FILÓSOFO

As escritas e vocalizações são feitas para uma época, para compreender, ou tentar entender, um espaço e tempo, no qual o homem em ação entendia e expressava-se nas línguas e linguagens, por várias formas de escrita ( desenho, símbolos, signos ) sua inteligencia do universo, grafa, glifada e falada ( cantada no "Teatrum Mundi" ou no "front" de batalha e ainda sob o jugo da natureza quando da borrasca e os cataclismos que na anatomia e fisiologia do corpo humano corresponde às doenças, mormente as degenerativas que, não obstante a expressão "degenerativas", ou seja, que degeneram, levando à morte ( levando o degenerado a morrer ) , não ocorrem somente em macróbios, mas também degeneram jovens, os quais, então, se tornam velhos precoces, envelhecer precocemente, pois tais enfermidade atacam os "genes", mexem em suas estruturas e em sua comunicação, porquanto genes também são mensageiros e se a mensagem é negativa ou imperfeita , deixa esses genes em "pedaços", aos frangalhos, ineptos para cumprir sua função vital plena).
Tais línguas-linguagens escritas, cantadas, faladas, mimetizadas no corpo, "geografas" pelo homem na escrita e na fala, no canto e na dança, na medicina e no teatro, enfim, no coro humano e nos substratos que acomodam as artes plásticas, a literatura,a ciência, a filosofia e, enfim, toda atividades humana ou do espirito humano, encaixada ou gravada-grafada num artefato cultural, de cunho antropológico, etnológico, não são são vocalizadas mais como dantes, devido à sutileza do timbre e outros detalhes inteligentes na fala ou canto individual e, por outro lado, "geoglifadas" pela natureza no mesmo corpo humano ( ou em outro corpo humano que não concernente à cultura, com seus artefatos médicos : drogas, fármacos, dentre outros, mas à natureza, tecnologia "in natura") pela ação da mão do tempo, que é frio, calor, umidade, secura, gravidade, clima, água, vento, sol... : enfim, tudo o que toca ou modifica as coisas no espaço, tirando-as de sua inércia ageométrica de Euclides, curvando-a nas parábolas de Descartes e no espaço-tempo relativo ( em feixe de ralações produzidos pelo frio, calor, fogo, ar, clima, ventania...) de Einstein, que é o último dos Euclides basais.
A fala é um canto lento, menos dramático que o canto propriamente dito : é um chamamento dramático, um apelo de alta dramaticidade, talvez resquício do período de caça e das primeiras intempéries, cataclismos, que ficou nos genes humanos glifados ou geoglifados, desde os tempos primitivos, tempos dos homens das cavernas, pois a terra escreve por genes e outra linhas tortas nas árvores e formas arbustivas que procuram o sol, o banho de sol dos prisioneiros da sombra gélida.
Não temos como ler qualquer tipo de língua-linguagem fora de seu tempo, desassociada, dissociada do espaço, porquanto ela, a língua-linguagem, é uma geografia ( é geografada, antes de ser escrita; ou seja, em sua tinta ainda sobra muito da terra, da geografia e geologia da terra, do clima, da comunidade-clímax, enfim, de onde proveio) e está inserida neste contexto terreno
( conceito-terra, geo-conceito ou concepção-gaia ) e no contexto de interesses ( politico, econômico, social, enfim , cultural ) onde foi plantada com raiz, mormente porque o tempo é o verbo, na escrita, está no verbo, que dá ou transmite ação à língua, assim como o faz o pistão com o motor Otto de dois ou quatro tempos."Tempos" do motor! ( O tempo in natura é o verbo em "geólogos", ou seja, numa língua-linguagem de "logos" móveis, plásticos ou que ocasionam as flexibilidades, que caracterizam a terra e a vida e que são funções do calor que dilata, do frio que encolhe, do fogo, da água, do vento, do sol, do clima, das geleiras, chuvas, neve...).

O substrato da fala, canto lento, é o vento, que cria o nariz, a boca, a respiração, enfim, o som que esculpe tudo. Daí nasceu na mente grega o deus Éolo, senhor dos ventos, tocador de moinhos de ventos e de Dom Quixote de La Mancha, com a cabeça no vento...: e sem chapéu! O vento é o pai da música, das Musas que inspiram a música na tragédia grega, refinada pela inteligencia de Nietzsche, filósofo trágico, do trágico, poeta trágico, filósofo e filólogo da tragédia, pai da inteligencia do espírito das música, cujo substrato é a tragédia da vida e não a reprsentada no teatro.
Portanto, somos analfabetos e incapazes de vocalizar antigas línguas e falas e cantos na tragédia de época ( a tragédia ou canto do bode,enfim, um canto, é o que dizia Nietzsche : o "espírito" ou pensamento ou ser da música: a música é sempre dramática ou trágica, mesmo a comédia é, sem redundância, uma tragédia, a qual expressa de outro modo o que é trágico : o ridículo e trágico e, quiçá, masi trágico que a morte mais trágica, pois é um sofrer em vida, uma demostração matemática-geométrica no palco ou no anbfitaetro social a nossa demencia, a demencia humana.E há algo mais tágico que a demência humana, a estupidez, enfim, a loucura de que ri Erasmo de Roterdan e todos os lúcidos Lucianos e Apuleyos do alfabeto grego ao latim escrito-cantado na tragédia que a missa enuncia - sempre em canto! : do bode... ou do cordeiro! : o expiatório-imolado.
Vamos citar o poema que demonstra, em seu escólio, o que o deus chacal Anúnis representa na lingua-linguagem do Egito antigo, tanto em desenho geométrico da figura quanto na grafia ou hieroglifia daquela personagem divina, que era o Egito em terra e rio, enfim, o Egito no homem e visto pelo homem. Senão, vejamos :
( O Egipto é Anúnis :
no desenho geometrizado do homem-animal
ou do homem com alma
enfim, Anúbis é o projeto de homem-deus
projeto de faraó ou rei
em hieroglifos na escrita
e em geoglifos na forma desenhada
- Anúbis é a equação geométrica-literal
que descreve a parábola do Egito no tempo-espaço
em que existiu no homem
e nas letras em símbolos-signos da época
do Egito em Anúbis
ou do homem em Anúbis representado
nitidamente
embora sem descortinar cabalmente
a tenuidade que o pó da época apagou
ou foi varrido verbalmente
primeiro oralmente
no cessar dos sons das vozes em burburinho
e depois na escrita
apagada da luz
pelas sombras do tempo
- as sombras que restam do tempo...)
A poesia é o indizível, o inenarrável, o trágico e o gozo, o interlúdio que o poeta capta na vida e, como o poeta não é um escritor, mas um pensador e um filósofo livre para fabricar sátiras, fábulas, deuses, igrejas, versos, música, teologia, mística, mistérios, enfim, exprimir vivenciando tudo o que percebe na vida, é ele, o poeta, o único ser humano livre das peias da sociedade e da cultura, um ser que foge ao contento, não se veste neles, ou não está vestido e invertido por eles, como sói ao rei e a todas as demais personagens da fábula que é a vida em comunidade, diferentemente da vida em individualidade, do monge de fato em ato que é o poeta e não o monge subjugado pelo seu casamento com as regras de ordem e da Ordem dos Cartuxos a que se submete, obediência, silente, modesto, resignado ( um filósofo calado voluntariamente, embora isso seja mais um paradoxo, mas...se o homem é mesmo o próprio "papiro" onde se inscreve e se escreve o paradoxo mais ancho!). é ele, o poeta, que cria os deuses, ele, o esteta, que, ao descobrir a estética, ao vislumbar a beleza, a desvela, na filosofia, pela filosofia, pela paixão á verdade e pela admiração u espanto que o belo lhe causou, ocasionando outrossim, com o ato da admiração ou espanto, o derrame da filosofia no mundo, ou seja, o por o ser no mundo e não deixá-lo mais quedo e mudo na mente humana,
postulante ao mundo e geometrizante do mundo que cria. o poeta é o Criador e o mundo e os deuses seus criados ou criaturas. O resto é flor...
Enfim, o Egito pode ser visto pela imagem de Anúbis, mas não penetramos o símbolo, que é mais que a imagem, e que na mesma imagem de Anúbis, está borrada e rascunhada sob uma imagem sobreposta pelo nosso contexto vivido ou vivo, que nos cobre com a luz e a treva que nos vela os olhos e a mente que trabalha com novos símbolos elaborados, os quais não servem para ler Anúbis, nem o Egito, senão o Egipto do s egiptólogos e dos arqueólogos e dos paleontólogos, que o que lêem e cantam é a tragédia de suas ciência limitadas pelos símbolos e signos que os prendem a um tempo determinado e fatal para elucubrações, especulações, das quais vivem, sonhando, oníricos, delirantes, pois não sabem ler poesia e, concomitantemente, filosofia, porquanto essas dua ciência são vivas, eclodem no corpo e na natureza atual, que lemos com a poesia e filosofia que não podem ser escritas, porque não são captadas pela escrita, nem pelos escritores.
O poeta-filósofo descreve parábolas cartesianas e anti-cartesianas, cujas pistas rabiscadas são as marcas indeléveis deixadas pelos pés céleres do tempo e espaço em coisas e artefatos, no tempo-espaço em que vive pressurosamente. Pois tudo passa com muita pressa e a vida é para ser amada ; não apenas vivida.Sem ser amada, a vida é semi-vida ou semi-vivida e o poeta é o único ser humano que conhece a sombra e a essência-existência do vegetal e do animal no fauno, que é o fenômeno ou o reflexo fenomênico nos olhos e demais sentidos da vida viajando em existência, reflexo esse transformado em reflexão ( ação pensante) e realização do conceito em símbolo, no fauno, que é a essência geometrizada-equacionada-concebida com pecado, e na vida em companhia do fauno, que é a existência : o ser-coisa-com-a coisa ou em companhia da coisa, não mais em si, mas em mim e ti.

sábado, 5 de novembro de 2011

TSUNAMI (wikiconario wiki wik wikidicionario wikipedia wapedia infopedia )

Olhos desmancham casas
Olhos do passado desmancham casas
- olhos passados
sem olheiras
sem olho para olhar
solapada as pestanas
não mais sobranceiros sob as sobranceiras
ou ansiosos para iniciar ato
de olhar os lírios
onde vingar essa flor-de-lis
lírica mas sem lira
desmantelam casas
imóveis na água da loucura
( água de paul pútrido
parada na lagoa )
inanimadas casas
sem alma de habitante vivo
com a alma em desgraça
aos trapos farrapos
de seu morador solitário
em permanente solitude e abandono
minado pela demência precoce
Olhos demolem casas
- olhos que demoram em casas
demolem com o olhar
essas casas de paredes escassas
quase sem massa
com reboco caindo pelas tabelas
as janelas com olhar perdido
- o olhar derriba
( Casas são filósofas cegas
- Filostrato durante o mecenato
de Septímio Severo
de origem berbere-púnica
pai de Caracala
imperador de velha Roma
cujo busto em alabastro
está em museus capitolinos
- um sofista na obscuridade de Sofia
cerzindo sobre o tecido vivo
das vidas dos sofistas
no livro "As vidas dos Sofistas"
o tecido morto de história
porque todo livro é uma mortalha
em companhia de máscara mortuária
enfim : um "Livro dos Mortos"
para os vivos
exercerem o poder
de ressuscitar o passado
com a vara de condão no verbo
do "Bruxo do Cosme Velho" )

A água nos olhos d'água
vão erodindo casas
Olhos derrubam casas
deitam-nas ao chão
deixam-nas sem o sustento do olhar
abandonam-nas sem pó de ananás
nem guarda-pó
sem substancialidade alguma
- insubstante
sem substrato
não obstante a essência
formada pelo plantio
da idéia em terra mental
do Platão inteiriço
não na forma do ouriço
porém sim na do homem
pois nada no homem
nada mais que a idéia platônica
desenhada em espaço opaco-fusiforme
dos peixes dipnóicos ou não
no cardume das sardinhas
e há lampreias mixinas dugongo
enguias garoupas moréias...
- tambaqui aqui
carpa lá
( Arcanjos demolidos
imolados
são casas
santas casas
velhas casas
velhas e casas
que se "moraram" reciprocamente :
A casa dentro da velha
e a velha senhora dentro da casa
E se enamoraram
também reciprocamente
que o amor é um reciprocar
florir cá e florescer lá ( lá lá la'...)
Entretanto nem pó deixaram
para pisar o rastro
do sapato
do filha da filha do neto da neta do tataraneto...
das gerações que vão
calçando a paixão
no coração
que se faz de si
gato-sapato )

Olhar para o passado destrói casas
quando no verbo
quando o ato
é ato fictício de verbo
está no logos ou lógica
ou logosolfejo
pois este olhar verbal
sem olhos que vejam
sem fotografia à luz da luz
acha uma casa
que já nem é casca de casa
está no pó
do anjo caído
decaído nos escombros
se anda há os escombros
nos ombros do estivador
visto em noite
sem luz alguma
pura treva
Evoco a casa de um "Tassiano" vereador
( o Tassiano vereador
em casa "quase" contígua
não fosse o movimento da língua
na escrita ainda em mão parada
presa à concepção platônica
que desce à acepção
por mãos postas de modo patético
acatando com humildade
a definição do significado
não lido ou escrito
no significante do vocábulo "contíguo"
que pode estar em acordo contigo
mas não comigo
nem em Celta de Vigo)
- habitação olhada na esquina
vista na esquina
até esboroar-se
em casa do não-vereador
do não-Tassiano
em não-casa
para fora do verbo
em implosão-explosão
sem feixe de gás metano
que se alinhe ao rés-do-chão
e redefina no fino traço do desenho
- o redesenho geométrico do motor Otto
- do engenheiro que leu em natureza
o ciclo Otto
e entendeu projetou e construiu
o motor a combustão
observando o peso do gás deitado
ao rés-ou-ao-rás-do-chão )
A demolida casa do homem morto
ao ser comprada-vendida
( que a alienação é troca mútua
aliada alheada do escambo )
é casa no passado
casa-caso no paço-passo passado
do verbo em sandálias pesca-atum-esturjão-anchovas-...
casa-e-caso no pretérito
caso-casa ou caso-que-era-casa-e-virou-caso
na casuística-mais-que sofística
casa-e-caso-por-acaso-decaídos-em-casuísmo
jurídico-sempre-jurídico
e no passo do passado de sapato
em passo de sapato no paço passado
demolido
removido
da instância dos olhos
se paço havia em descompasso
com o passo no sapato
no-nu ato do pé
arrastando sapato e alma
passo-a-passo
até o paço do governador
das minas gerais não
mas sim do filão de ouro das minas gerais
( das não-minas gerais
do não-ser as minas gerais
em Minas Gerais
em governo e povo e terra
escrita-descrita na parábola cartesiana
de João Guimarães Rosa
outra voz do "pobre Aphonsos"
"em tristes responsos"
pelo caminho torto das minas gerais
no sapato de Minas Gerais )
e outro ato no olho vivo
( olho-que-tudo-vê-e-olha-enxerga-...)
existente
descontente
insurgente
insurreto como o sol preclaro
desmanchando casas escuras e zumbis
mas amassado em massa densa
dançando aritmicamente no compasso
amarfalhado em olho insone
que olhou o vivo ao vivo
dentro e fora do sono
com luz para sonho
e treva para sono
( sol solto dentro do corpo
e da mente iluminista
- humanista!
que há humanismo
desde a Grécia dos deuses antropomorfos
com os deuses antropomorfos!
pois o antropomorfismo dos deuses gregos
exprime um humanismo intenso
na mitologia-científica-poética-já-quase-com perspectiva-filosofante
dos gregos de Hesíodo-Homero
ou o que signifique e significou
no corpo do antigo significante desenhado em língua grega antiga
esse par-ímpar : Homero-Hesíodo )
e depois no olho morto
em células epiteliais
que coexistiam com a casa antiga
na trempe do tempo
construído ficto
pela substância mental
posta no verbo
em ser de lógica
ou logos
substância que faz
do olho vivo
o olhar morto
- do morto
mirando o frontispício
do hospício
casa antiga
morada da loucura
com "habitat" ou nicho em loucos
e não nas casas
sob a casca das paredes-meia
do nosocômio público ou privado

O olhar desmancha casas
pois não se olha para o passado
porque não existe pretérito
senão na verborréia cor-de-rosa
do olho na rosa banhada pelo sol
às mancheias de cores
ocultas no branco do lençol do fantasma solar
desveladas por Isaac Newton com o prisma

Casas só não são demolidas
pelos raios emitidos pelos olhos
ou pelas ondas de luz
nas quais os olhos vão de carona-na-canoa
até a casa mau-olhada no assombrado
onde se esconde no sonho
pois no mundo onírico
não há dessas "tsunami"
que arrastem casas
como se fossem
brinquedos da natureza
em fúria infantil
( A fúria da criação
que é o Criador
germinando na alma da criança
está nas crianças lúdicas por excelência
- e a natureza é sempre uma criança!...:
"El Niño y La Niña"... )

terça-feira, 25 de outubro de 2011

geoglifos ( wikcionario wiki wik dicionario cientifico wikdicionario encilopedico onomastico cientifico)


Uma língua de geóglifos
está escrita no pássaro
- está escrita no poeta
mas o homem
nem a pode ler
graças aos seus apodos
- graças à sua garça
"Stela" bela
- beta na manhã
alfa à noite

Um idioma em geóglifos
nem pode ser lida
no logos do homem
Somente pode ser ouvida
lida e escrita
na literatura do poeta
que dá à ciência
um pouco de esmola
em vocábulos polifônicos
na terminologia de Goethe
ou Dostoievski ou Modigliani
dentre outros poetas
oriundos do fundo
- do mais profundo
das várias línguas
que são linguagens
metafísicas ou matemáticas
cuja poesia
não pode ser escrita
pintada ou esculpida
senão na alma
do ornitorrinco e do ornitólogo
do macuco e do maluco
que é o homem
( - e somos nós! )

A língua geoglífica
é haurida do cosmos
Os poetas têm acesso
contudo não podem escrevê-la
na sua poesia
mas apenas na sua alma
porquanto é um código
praticamente intraduzível em outro idioma
apenas passível de versão
em outra linguagem
( A aventura de traduzir
tal língua em vernáculo
ou em qualquer outro código linguístico
ou de linguagem
é algo assim como fazer tradução
do galo para o francês
ou do francês ao galo
- da antiga Gália
onde vivia o gaulês
no geodo do corpo
escrito com genes
que são um código de comunicação em geóglifos
- um dentre infinitos
se há ao menos um infinito
em linguagem matemática-algébrica
que pensa o todo
e mais que o todo :
o infinito
e o nada
que denega tudo
nos atos dos matemáticos
- apóstolos dos poetas )